domingo, 20 de julho de 2008

O América sobe

Finalmente, o América-RN conseguiu sair da lanterna e ocupar, neste momento do campeonato, a décima-sétima colocação. Falta pouco para sairmos da zona de rebaixamento. Força, Mecão!!!!!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A DOR E A DELÍCIA DE SER DA PROVÍNCIA

A DOR E A DELÍCIA DE SER DA PROVÍNCIA
(Lívio Oliveira)
Nasci nesta cidade iluminada do Natal, no ano já distante de 1969; portanto, já havia ficado para trás “o ano que não terminou”, de que todos tanto se lembram hoje. Para mim, 1968 (um ano que possui um dono chamado Zuenir) estava já bem terminadinho e o meu ano, um 69 bem feitinho – tenho mesmo que me resignar–, não seria, assim, tão lembrado. Apesar disso, foi nele em que a missão Apollo 11 pousou na superfície lunar, em um local que sei-lá-quem chamou de “Sea of Tranquility” (Mar da Tranqüilidade). Os loucos astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin tornavam-se os primeiros humanos (Marcelus Bob ainda não havia inserido seus “humanóides” no quadro) a caminharem no queijo suíço do satélite natural da Terra: “Um pequeno passo para um homem, mas um gigantesco salto para a humanidade”!
O curioso é que o meu primeiro choro, na Policlínica do Alecrim, deu-se durante um outro acontecimento, no mínimo interessante, no mínimo tão excitante: era o segundo dia do mítico festival pacífico e amoroso de Woodstock, que reunia mais de 400 mil sonhadores numa fazenda de 103 hectares em Bethel, Nova York, EUA. Portanto, aquele povo alucinado estava longe, bem longe desta amável província para a qual eu abria, desavisadamente, os olhinhos. Minha lívida mãe, assim, podia me entregar ao mundo com mais tranqüilidade (só não sei se por aqui já havia carros com as portas abertas e os sons de megawatts ligados e se ela teve que suportar, no leito do meu nascimento, o som estridente de alguma banda de forró-brega ou dupla sertaneja ou dança do créu ou qualquer dessas “belezas”!).
Joan Baez (como parecia, meu Deus, com uma minha vizinha belíssima, irmã mais velha do meu primeiro amor de infância, nos anos que viriam!) concluía, com sua voz de canário, no amanhecer do dia 16 de agosto, um set de cinco canções, cantando, por derradeiro, "We Shall Overcome". Naquele sábado ainda se apresentariam os principais artistas psicodélicos e os roqueiros do festival, dentre eles Santana, Janis Joplin, The Who, Creedence Clearwater Revival, Jefferson Airplane e outros malucos. Acredito, hoje, que os meus berros devem ter sido bem mais altos dos que os de Janis, uma de minhas cantoras preferidas. Afinal, não sabia e, talvez ainda não esteja hoje muito decidido, se queria mesmo vir para o lado de cá.
Devo frisar que muitos desses e outros heróis que tive (é verdade que o Woodstock me trouxe os primeiros heróis, já quando eu nascia!) morreram, mesmo, de overdose. Dentre eles, o próprio autor da frase imitada, Cazuza, ícone dos 80, cantor e poeta desaparecido por excesso de sonhos e desejos [lembro-me de ter faltado a uma aula daqueles dias, no católico Colégio das Neves, para ver um show do então vocalista do Barão Vermelho no saudoso (?) Palácio dos Esportes].
Viriam, no decorrer dos meus quase quarenta anos, diversos ídolos, diversas ilusões, todas e todos mortos, em mim ou no mundo. Viria Elvis, “The Pelvis”, quem eu quis ser um dia, imitando-o aos dez anos (Elvis havia morrido no dia do meu oitavo aniversário). Viria Renato Russo. Viria Elis, viriam todos para mim, para o meu conhecimento. Viriam até Mussum e Zacarias, já que a vida precisava de um sorriso e, nela, já se instalavam muitos outros palhaços.
Jamais me pacifiquei e, por isso, depois, descobri Augusto dos Anjos, Fernando Pessoa, Fernando Sabino, José Lins do Rego, Lorca, Manuel Bandeira, Proust, Walt Whitman...Descobri Piaf, Montand, Aznavour. Também me apercebi da existência anterior sobre a terra de Billie, Ella, Monk, Mingus e Miles; de Fellini, Buñuel, Bergman, Brando e Brigitte. Perdi-me, de vez, entre os sonhos que jamais me deixariam quieto e o tempo começava a passar rápido, rápido. Eu teria que correr, sempre, como Lola, ou um Forrest Gump desesperado! Deixava de ter ídolos e meus únicos mitos se tornariam duas cidades: Natal (que eu sempre conheci muito, muito bem!) e Paris (que ainda não conheço!).
Lembro-me de muitas coisas e experiências e – óbvio – a maior parte daquelas mais consistentes e inconseqüentes se passou na infância e na adolescência, quando brincava no sadomasoquista “garrafão” ou de “31, Alerta!” e guerra de mamona nas ruas do Barro Vermelho; quando pulava o muro do quintal de minha tia para furtar frutas; quando quase me dei mal várias vezes; quando me iniciei em quase tudo; quando caí da mangueira ou quando fui atropelado ou quando...quase a história se encerrava! Hoje, ando por aqui, meio desiludido com muita coisa, muita gente; ainda iludido com tantas outras.
Com o sol na cabeça (belo, Lô!), sou sabedor (sou quase um profeta, um clarividente!) de, por exemplo, quem estará à frente de nossas instituições culturais no ano que entra e no outro e no outro. Duvida? Além disso, sei já de outras dez cositas: 1. A nossa política é como as outras; 2. Nossas praias são mais belas que todas e nossas mulheres não tanto quanto as de Buenos Aires; 3. A refinaria nunca vem; 4. As medidas pluviométricas são as principais notícias dos jornais; 5. Nossa água está mais suja e alguém lava a égua; 6. Temos muitos carros nas ruas; 7. Temos muitas ruas sem árvores; 8. Temos poucos becos e muita lama; 9. Somos incultos, mas não parecemos (as únicas exceções à vida inculta desta vila poderiam ser Luís Cascudo e Luís Guimarães e Zila e Sanderson e Patriota, o Nelson germanista, e João Batista e Zé do Beco e outros poucos? Sim, e outros, mas mui poucos); 10. Vivemos sob um refinado, digo, digo assim, um reinado de poucas famílias, em folias e dutos por onde vazam nossos sonhos, escorrendo um óleo negro, um leite azedado, e gafanhotos se lambuzam no mel.
Aqui, amigos, irmãos, aqui é o lugar onde um cínico não vive num barril, mas numa academia...de musculação! Aqui, não há muitos santos, nem muitos Pedros ou Paulos, mas há tantos Judas! Mas, não pense, você que me lê, que eu acredito em tudo isso, que eu seja um poço de pessimismo ou amargor! Na verdade, mesmo, mesmo, eu me esforço é para desacreditar (sou, em verdade, um otimista como se pode notar!), pois aí verei que vivo num paraíso, tão cheio de querubins, de anjos cantores e cantadores cristalinos, de artistas, intelectuais, políticos sérios, e...poetas vaticinadores de um mundo melhor em que, às vezes, poderei deitar e conseguirei dormir!

Entrevista com Carlos Secchin

ENTREVISTA/ANTONIO CARLOS SECCHIN
POR LÍVIO OLIVEIRA
POETA


O poeta potiguar Lívio Oliveira entrevista o escritor Antonio Carlos Secchin, doutor em Letras pela UFRJ, integrante da ABL, detentor de 15 prêmios nacionais e autor de treze livros, como “Os melhores poemas de João Cabral de Melo Neto”, “ Poesia completa de Cecília Meireles” (edição do centenário), “Poesia e desordem”, “A ilha”, “Ária de estação”, “Elementos”, “Diga-se de passagem”, entre outros. Na entrevista, Secchin fala sobre literatura, internet, ABL, Ministério da Cultura, e de autores brasileiros que estão hoje completamente esquecidos.


A internet colabora para o desvio, a subtração, de leitores ou dos leitores potenciais?
Ao contrário, ela fomenta a leitura e traz, potencialmente, toda a literatura do mundo para o monitor do usuário.

Concebe-se uma "literatura eletrônica"? Que importância possuem os blogs e os sites com temas literários ou culturais?
Ainda assim, creio que nada substitui o suporte "livro". Não tenho tempo (nem muita paciência) para ficar percorrendo blogs. Diante da profusão, é necessário ser extremamente seletivo.

Que momento vive a poesia brasileira, hoje? Há novidades consistentes?
Vai bem, e ignorada, como quase sempre.

A Academia Brasileira de Letras tem cumprido o seu papel cultural?
Sim, com uma renovada e ampla gama de atividades: seminários, cinemateca, concertos, publicações. Basta conferir: www.academia.org.br

Como você vê o acordo ortográfico sobre a língua portuguesa?
Sou favorável, mas não vejo "a pátria em perigo" nessa questão.

Traduzir é mesmo trair?
Sim, mas há traições maravilhosas.

O que nos traz o mercado editorial atualmente? O livro é um produto que tem futuro no Brasil?
A quantidade avassaladora de títulos publicados/vendidos nos traz alento. Mas quando percebemos que a grande maioria é de didáticos...

Como vê a atuação do Ministro Gilberto Gil à frente do MinC? A atual política cultural é eficaz?
Gil é muito articulado e competente. Não creio, porém, que tenha priorizado a literatura.

Que lembranças você possui do ano de 68 e que influências ainda tem?
Poucas lembranças. Não vivi os momentos de agitação universitária porque ainda cursava o ensino médio.

João Cabral tem sido lembrado e lido como merece? Quem merece ser lembrado no Brasil?
Sim,” Morte e vida Severina” talvez seja o maior sucesso editorial de toda a poesia brasileira. Não, porque os leitores parece contentarem-se apenas com essa obra, que revela apenas um aspecto de Cabral. A lista dos injustamente esquecidos seria longa, talvez tão extensa quanto a dos injustamente celebrados.

O que deve fazer um jovem que busca ser escritor?
Ler o máximo, escrever o mínimo.

Citaria dez autores essenciais?
Essenciais, não diria, mas importantes: Marcelo Gama, Ernâni Rosas, Carvalho Júnior, Júlia Cortines, Eduardo Guimarães, B.Lopes, Luiz Aranha, Maranhão Sobrinho, Luiz Delfino, Alberto Ramos. Todos mortos. E esquecidos.



Quem é Lívio Oliveira?

Lívio Oliveira é meu irmão mais novo, de uma prole de cinco. Procurador Federal, atuando no Rio Grande do Norte, atuou durante muito tempo na UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Escritor, poeta, compositor musical, entre outras paixões.

Brevemente publicarei mais detalhes sobre carreira do Procurador Poeta ou será Poeta Procurador Lívio Oliveira.

Entrevista com Marcia Tiburi - Por Lívio Oliveira

Entrevista da filósofa, escritora e apresentadora de TV Marcia Tiburi a Lívio Oliveira (11/07/2008):


L.O. O que diferencia, essencialmente, a filosofia da literatura?
M. T. São dois campos tão próximos e tão distantes que falar de uma diferença pode ser complicado. A diferença é que a filosofia não precisa ser escrita, que ela é evento, é acontecimento. É mais essencial que falemos de filosofia entre nós, do que escrevamos sobre ela. A literatura, por sua vez, é escritura, depende da escrita e se faz por meio dela. A rigor, um filósofo não precisaria escrever nada desde que ele possa realizar seu trabalho de pensamento na comunidade com a qual dialoga.

L.O. Por que a afirmação de que a filosofia acadêmica é hoje "um cadáver"?
M. T. Usei esta metáfora para causar atenção. Referia-me ao fato de que certas coisas morrem, neste sentido, que a história da filosofia que se tenta, no mundo acadêmico, fazer passar pela filosofia como um todo. Esta é uma idéia que perdeu seu sentido, pois não estamos mais no período da ditadura em que filósofos se escondiam do regime e preservavam a filosofia dizendo que estavam só estudando história do pensamento, colocando assim a filosofia num lugar inerte e não perigoso. Mas, se é um cadáver em nossas mãos, também devemos dissecá-lo para entender sua anatomia.

L.O. Você se considera uma filósofa "pop"? Isso lhe incomodaria ou lhe seria útil?
M. T. Realmente não penso nestes termos. Mas acho engraçado, enquanto nem me agrada nem me desagrada. Acho que para o papa ser pop foi bom. Talvez para mim, ou para quem gosta de filosofia, também seja. Que a filosofia como tal se torne pop, creio que é ótimo. Torna o gesto crítico do pensamento, que é a filosofia, algo mais democrático. Sendo uma professora de universidade como sou, espero que isto também seja divertido para meus alunos, quem partilha comigo a filosofia mais de perto.

L.O. Como você convive (e que disciplina você trabalha) com as múltiplas facetas do seu labor criativo e intelectual: a Filosofia, as letras, a televisão, além da mídia eletrônica e escrita em geral?
M. T. Não sei explicar isso. Eu sou uma pessoa hiperativa. Escrevo, leio, invento coisas o dia inteiro, o tempo todo. Talvez eu devesse responder a você como convivo com o não fazer nada. Mas como isto só me acontece raramente, fico sem entender como seria exatamente.

L.O. O silêncio é essencial?
M. T. Claro. É o que eu mais ouço.

L.O. A música ainda "toca"?
M. T. Raramente ouço alguma música diferente do som de meu marido ao violão. Quem vive perto de músicos acaba mais ouvindo ensaios e as musicas deles do que músicas em geral. Mas eu, em geral, não tenho tempo para ouvir música, assim como não tenho para ver Tv. O meu mundo é feito de livros.

L.O. O que vale mais: a ética ou a estética?
M. T. Toda ética tem uma estética, toda estética tem um ética.

L.O. Quais são suas principais referências intelectuais?
M. T. Não sei mais. Eu leio de tudo. Talvez o fato de que tenha estudado por dez anos a teoria da escola de Frankfurt, da teoria crítica, seja uma referência essencial. Mas gosto demais de Aristóteles, Nietzsche, Kant, Schopenhauer e de tudo o que se faz na filosofia contemporânea que é sempre o foco dos meus interesses.

L.O. Quais são suas preferências atuais de leitura? No Brasil, no mundo...
M. T. Leio coisas demais. Mas se pudesse passaria a vida lendo Melville, Gombrowicz, Lobo Antunes, Osman Lins, Borges, na literatura. Na filosofia leria de novo o que eu já li. Gosto muito hoje de um filósofo italiano chamado Giorgio Agamben.

L.O. Que valor possuem as "feiras" ou "festas" literárias, como a FLIP?
M. T. Acho todas uma maravilha. Divulgam livros e leitura. Tornam a literatura algo festivo e desejável.

L.O. É possível, afinal, filosofar em português?
M. T. Em qualquer língua! Onde há linguagem (mesmo a das artes), aliás, é possível realizar o trabalho do conceito. A língua, por sua vez, providencia a condição do diálogo.

L.O. O centro geográfico (ou econômico) pode definir qualidade de escrita e escritores?
M. T. Não creio. Literatura depende de desejo e disciplina. Se não temos mais grandes escritores é porque não aparecem pessoas que queiram e trabalhem para construir uma grande literatura. No Pará, por exemplo, em Belém, há um dos maiores escritores brasileiros, que é o Vicente Cecim. Ele não está no centro geográfico (aliás, onde fica?)

L.O. Qual é o lugar da literatura em sua vida?
M. T. A minha vida está situada na tensão entre a filosofia e a literatura.

L.O. A palavra move ou só comove?
M. T. Move, comove e é movida por nós. Fazemos com ela uma dupla banda.

L.O. Como definiria "consistência" no ato de criar, de escrever?
M. T. Escrever muito e sustentar o que se escreve.

L.O. O que lhe causa estranhamentos no Brasil atual? O que lhe incomoda?
M. T. A falta de atenção aos problemas e de respeito. A covardia dos poderosos também.

L.O. Como saber/conhecer sem nutrir culpa, num país como o nosso?
M. T. Culpado é quem não sabe/conhece.

L.O. Como a televisão poderia melhor atuar na formação cultural de um povo?
M. T. Tomem o poder. Façam a sua televisão. Não vejam o que não devem. Não vejam, se for preciso. Mas assumam o que fazem. Claro que projetos educacionais e culturais envolvendo a televisão são ótimos. Creio que eles existem cada vez mais até porque a televisão está cada vez mais ampla. A hegemonia tem seus dias contados.

L.O. Qual é o verdadeiro papel do escritor?
M. T. Verdadeiro? Escrever o que ele quiser e achar que deve.

L.O. O que o escritor busca "inscrever" no tempo?
M. T. Não faço idéia. Cada um deve ter uma vontade diferente.

L.O. Quais são as suas buscas, as suas metas essenciais na vida?
M. T. Viver em nome da minha liberdade possível, ter paz de espírito, fazer o que devo com as bandeiras que carrego.

L.O. De que trata o seu último livro, o "FILOSOFIA EM COMUM"? A Filosofia está ao alcance de todos?
M. T. Filosofia em Comum – Para Ler-junto é um livro que escrevi para promover a idéia da filosofia como conversação. É um livro vivo, que procura chamar o leitor a todo momento para o fato de que ele é intérprete do que ele lê. De que ele se torna, por isso, autor do que lê. É um livro “dispositivo”. Que serve para acionar o pensamento de cada um e levar ao diálogo com o outro. Tentei fazer isso chamando à leitura e à descoberta da voz de cada um. Por isso é feito para ler para um outro

sábado, 17 de maio de 2008

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